quinta-feira, setembro 13, 2001



Dilemas

Todo dilema azucrina pela pressão da escolha. Parece até que a sina de cada vivente humano é digerir todo dia uma porção de dilemas. Tem os grandes e os menores, os que parecem e não são, tem os simples e os enredados que mais parecem novelos de fios finos intricados. Mas todos carecem de ser desfiados ou então a vida empaca por falta de decisão.

Os mais cruéis sempre pintam é na zona ali das querenças, essa da paixão ou do amor, porque é sempre um e mais outra criatura, coisa de par ou parelha, e a escolha pode magoar ou ferir. E aí tem gente que deglute e não consegue digerir, e o bicho então fermenta e incha, fica maior do que era e deixa de ser dilema para virar paranóia ou então assombração, duas primas bem próximas daquela tal da doidice.

Tento papar os meus sempre que me aparecem, mas vez em quando um me engasga e fica parado no meio numa hesitação danada e só se resolve (tem uns que nem se resolvem) aos trancos, meio torto, de trivela, como acontece com quase todas as gentes desse nosso doido mundo. Dilema é um nó danado, e por isso me pergunto: será que sou um dilema no quengo daquela moça?