sexta-feira, setembro 21, 2001



Cura

Vira e mexe me pergunto, mas nunca sei responder, se pessoas escaldadas por desenganos sofridos ou outros padecimentos no amor e cercanias são capazes de zerar e sempre recomeçar baixando a guarda e as defesas, encarando novo par sem essa de um pé na frente e outro ali mais atrás.

Tô propenso a acreditar, embora não convencido, que corações magoados tendem mais pra retração e preferem navegar num grande mar de amargura, e não sei porque diabos não deixam de navegar, e isso vale pro meu que vez por outra embarca nessa também. Aí as criaturas por via das desventuras seguem lambendo o amargo que destrói o paladar em parte ou por inteiro pelo uso demorado, e ainda contamina o restante dos sentidos. Embota a vista, retesa a carne e amolece os ossos num insalubre processo que transforma lentamente gente em invertebrado.

No meu caso já tô dando uns piparotes no meu juízo pra ver se ele toma jeito e me apruma os rumos e me põe na rota dela, sem escudos ou seqüelas.