domingo, setembro 09, 2001
Alfa
Nunca acreditei muito nessas propostas mirabolantes do autocontrole absoluto e tal. Essas de hibernar dentro de si mesmo, de submeter a mente ao controle dela mesma e domar o pensamento como se doma um cavalo. Esses controles alfas e outros que tais. Mas meu propósito nesse feriado comprido era dar uma desligada do mundo e de mim, alfar em beta ou betar em alfa, sei lá. Queria descansar, pra desanuviar umas idéias e regular as obsessões. Me mandei sozinho prum hotel fazenda pra buscar tranqüilidade na paz dos matos e relaxar desligado desse mundão doido.
O resultado foi duplamente desastroso: cientificamente mixo e cansativo na prática. E constato como um mané que sou, o que se sabe há trilênios: corpo e mente são um bloco só. Ou descansam os dois ao mesmo tempo ou vão ambos pro beleléu.
O povo que vai se hospedar nesses cantos pretensamente calmos não consegue se acalmar. As pessoas acordam antes dos bichos, ficam excitadas com a paisagem, parece, e não conseguem dormir cedo. Um pandemônio. Pra agravar mais ainda o fuzuê eu não conseguia segurar meus pensamentos que ficavam girando pelos pontos cardeais todos, mas nunca ficava ali junto de mim, só apontava pra longe, porque é longe que ela tá. Voltei um dia antes do combinado. Ontem de noite. Agora tô cá nesse meu ambiente barulhento, cheio das tecnologias e dos ruídos esquisitos conseqüentes. Relaxei um pouco. Tô quase em alfa, mas os miolos continuam fervendo.Tem jeito não.