sábado, agosto 11, 2001



Xô, anjo chocho

Tenho muito receio de anjos. Não desses celestiais, de cabelos sempre iguais e asas de muitas plumas, porque esses, modelo barroco ou gótico, me parece nem existem. Meu temor é dos pretensos, é do tal do anjo torto, do fajuto, da criatura humana que incorpora essa vontade e pensa logo que é um. Essa é perigosa, e como assim se considera, inventa seu próprio código, como se dos anjos fosse, e se dana a fazer estragos, dizendo que é o contrário. Em vez de código, isso é arma defensiva e morna que ela sempre dispara por frustração ou vingança, e nesse ofício fictício só destrói

Meu sentimento é quer tem um anjo fuleiragem desses aí dando uns calços em mim, solapando, pelo lado de lá, emprenhando pelos olhos ou pelos poros, tentando dar cabo de uma sólida querença que nascia e que eu queria que fosse muito mais que isso só. Queria e quero.