O povo underground tem história
Pra mim, é na fricção do confronto da transgressão com o conformismo que a história avança. E assim nos costumes é mais evidente, e cada época sempre teve lá seu povo underground. Esse que faz o contraponto da norma, se rebelando pra quebrar as arestas dela.
No século XIII, em em mil duzentos e cacetadas, os goliardos eram esses tais ali pela Europa. E essa raça aí era composta por religiosos ou estudantes universitários que cheios do tédio se mandavam das escolas, abadias ou conventos, e iam pra gandaia se empanturrar de sexo, vinho e música (não muito diferente de hoje com essa de sexo, drogas e rock, né?) pelas tabernas de então, vivendo às custas das putas, dos freqüentadores embriagados e dos admiradores da sacanagem em geral. Era uma raça errante.
Pois foi esse povo aí que escreveu os poemas (em latim e alemão) que foram encontrados na abadia de Benediktbeuern, na Bavária, em 1803, e que Carl Orff musicou, e virou a ópera Carmina Burana (Poemas de Beuern). Tava ouvindo um trechinho aqui e parecem inocentes hoje. Mas naquele tempo em que a igreja tentava travar a libido ( que mesmo assim explodia), era um chute no saco dos conservadores.
Tem versos louvando a bebida, a natureza e o sexo, como esses:
Amor volat undique,
captus est libidine.
Iuvenes, iuvencule
coniunguntur merito.
Siqua sine socio,
caret omni gaudio;
tenet noctis infima
sub intimo
cordis in custodia:
fit res amarissima.
O Amor voa por toda parte,
capturado pela libido.
Rapazes e moças
se juntam corretamente.
A garota sem um parceiro
perde toda a alegria;
tem a noite escura
presa no íntimo
de seu coração:
quanta amargura!
.jpg)
.jpg)