terça-feira, agosto 28, 2001
Nó no tempo
Nada no mundo é perene e parece que tudo aqui é mutante. A ciência engole a ciência e revisiona os conceitos dessa natureza tonta, e as leis que vigiam ontem hoje já não vigem tanto e vão se reconfigurando conforme a dança do tempo. Quem tá propalando isso é o povo das ciências. As observações mais recentes indicam que o mundo tá é ficando gagá e certos enunciados tidos quase como eternos foram todos pras cucuias e mais além.
Daí é preciso tá atento pra não fundir os miolos porque nem tudo que você vê, é na verdade o que é, e nem tudo que brilha reluz, nem todo sonho é sonho, nem tudo que é surreal inexiste, nem toda fome é fome e pode ser até fastio. Nem tudo que se come é comida ou pasto como pensava o outro lá, nem tudo que se engole desce, porque tem o regurgito que fica no vai-e-vem ali da boca para o gogó. Nem tudo que se nega é verdade, e tudo que é verdade pode não ser verdadeiro. O absoluto não há, nem o relativo convence. O sólido pode ser só fumaça e pode ser que nem a fumaça exista. E isso não tem fim, é como aquela do avesso do avesso e que sempre tem mais um.
E como o tempo aqui é curto, melhor faz quem o gasta amando, porque assim ele não passa, e se passar, a gente faz de conta que nem viu.