quinta-feira, agosto 23, 2001
Corações perversos
Toda paixão me ferra a alma num alvoroço fodido. E segue seu curso e se instala nos amplos limites do amor, e vai me acalmando um pouco. Mas quando a dúvida chega e pinta, seja na banda de cá ou na outra que tá lá, e tudo ameaça se dissipar que nem nuvens no verão, começa tudo de novo e o coração se sobressalta e resfolega e se agita provocando sofrimento.
E cada momento desse é um tranco, e cada tranco desse encaliça mais um pouco os sentimentos da gente como se fosse um escudo. E os desencontros acabam por engendrar uma estranha serventia, essa armadura potente de autopreservação pra resguardar a gente dos perversos corações que pululam por aí, em tudo que é lugar.