sexta-feira, julho 06, 2001
Pra segurar a libido
Filosofia é uma coisa que tem lá umas serventias assim pra deslindar os enroscos da existência da gente. As regras básicas que regulam a convivência humana nasceram dos miolos desse povo que se ocupava de filosofar. E tem pra tudo quanto é gosto. Tem as que ninguém entende, e tem delas até divertidas.
Uma das mais esquisitas e que influenciou profundamente o pensamento cristão foi a tal da escola estóica, que determinou o comportamento das criaturas que viveram entre 300 anos antes de Cristo e 250 depois. Esse povo defendia a pureza ética, a castidade e o vuco-vuco sexual apenas dentro do casamento. Condenava a luxúria e exagerava na rejeição do prazer físico, o que deve ter reduzido bastante a fodelança naquele tempo, e ainda considerava uma virtude saber suportar o infortúnio assim sem reclamar da dor. Difícil agüentar isso. Vai ver que até influenciou os masoquistas muito tempo depois.
Não foi o sábio Sêneca, que morreu no ano 65 da nossa era, quem fundou essa escola de pensamento, mas ele foi seu principal teórico. Olha só parte das idéias do bicho expostas num ensaio chamado Sobre o Casamento:
“Todo o amor pela esposa de alguma outra pessoa é vergonhoso. Mas também é vergonhoso amar a própria esposa desmesuradamente. Ao amar a esposa, o homem sábio toma a razão como guia, não a emoção. Resiste ao assalto das paixões e não permite ser levado impetuosamente ao ato conjugal. Não há gesto mais depravado do que o de amar a própria esposa como se ela fosse uma adúltera. Aqueles homens, entretanto, que dizem copular com a mulher só para gerarem filhos, em prol do Estado ou da raça humana, devem pelo menos tomar como exemplo os animais, e quando o ventre da esposa inchar, não devem se mostrar como meros pretendentes mas como maridos."
É isso. Depois de mais de dois mil anos alguns conceitos concebidos ali ainda norteiam hoje os procedimentos de muita gente no mundo.