sexta-feira, julho 27, 2001
No afeto
Aprendi, nas voltas que o tempo dá, que nem toda cuca suporta ou enfrenta, com determinação e destreza, o cotidiano embate entre e a vontade e o desânimo. Aí o desalento que tá sempre rondando na espreita, chega de uma vez e se instala entupindo de incertezas o juízo de cada um desse povo, desse lá que não suporta, triturando bem ligeiro qualquer que seja o desejo. E a pessoa se sente como se fosse somente uma metade de si, e fica ali, torta e tonta, meio forte meio frágil, quase perdida e girando em torno do próprio umbigo, e se entrega truncada, travada no que queria.
Mas, pra mim, ninguém tá livre de cair nessa esparrela, porque além de um nó, isso também é um laço, e pra escapar desse rolo, das armadilhas armadas pelos miolos da gente, eu busco alento é no afeto, pois se a vida já é árida, sem amor ela estorrica.