quarta-feira, junho 13, 2001


Ser feliz, ou sucinto e confuso guia da felicidade

Cada vez que me meto a querer deslindar os mistérios dos miolos dos outros termino é entortando os meus. E sempre que me atrevo a invadir esse espaço da natureza humana digo bobagens ou me ferro. Mesmo assim, lá vai. Sei, só de observar, que a natureza de cada um é única, daí a dificuldade de generalizar. Com o perdão dos rompe-cucas, os tais psicanalistas, aqueles que têm lá suas técnicas pra tentar consertar as almas dos outros (e se não consertam, pelo menos ficam conhecendo mais uma natureza), e também de outros bambambãs que tais, vou botar duas pitadas de heresia aqui no barato da felicidade.

Pois sim, tem umas gentes que recusam a tal da felicidade fugaz, a dos "momentos felizes", por transitória, e buscam o ideal da felicidade permanente, e como parece que essa só existe no âmbito dos desejos, isso pode ser uma escolha deliberada, ou não, pela infelicidade, pelo sofrimento trepidante. Mas enfim é uma escolha. E escolha, às vezes, é uma coisa tão incongruente, que nem mesmo quem escolhe sabe a razão, o porquê.

Minha singela conclusão é que sofre mais quem busca ser feliz em tempo integral, e procura apenas dentro de si mesmo os ingredientes que possibilitam isso. Tirante aí as contradições que todo mundo remói, e triturando sem pena nem dó os conflitos que cada um tem, sobra um pequeno espaço pra felicidade. Como esse espaço resultante é pequeno carece saber aproveitar bem. Assim é importante entender que os momentos de felicidade que cada qual pretende tá também em cada outro. Complicado? Nada, é só tentar juntar porque a cura desse mal pode ser o outro.