terça-feira, junho 19, 2001


A natureza é cruel

Nesse final de semana prolongado vi um documentário sobre marsupiais, especificamente sobre cangurus. Me chamou a atenção a forma como eles nascem, e que me levou a deduzir ser completamente indolor. O bichinho nasce lá com pouquíssimos centímetros, parece até uma larva. Pelo tamanho reduzido o máximo que deve causar é cócegas na hora que tá saindo. A vulva nem se abre, ele desliza por ali, e faz uma longa (pra ele) "caminhada" indo se alojar naquela bolsa da mãe.

Na hora que tava vendo me lembrei de várias outras espécies de fêmeas que já vi parindo, e a impressão que me deixaram foi sempre de sofrimento, agonia e dor. Então por que as mães cangurus têm esse privilégio? Estão livres desse padecimento?

Só pode ser uma tremenda falha da natureza. Sim, porque se as fêmeas têm a anatomia talhada pra conceber e parir, qual a razão da dor na hora de expelir a cria, se na hora do vuco-vuco quase sempre é prazeroso? Será que nas cangurus, pra ficar tudo empatado, o doloroso é conceber? Sei lá eu. Só sei que é uma grande injustiça com as fêmeas essas coisas que são consideradas naturais pra elas, como menstruar e parir, terminarem por ser penosas pra maioria delas.

Daí que talvez eu não seja o único, mas certamente sou um dos poucos sujeitos no mundo a implicar com a natureza, a considerá-la imperfeita. Ou isso, ou então ainda estamos num processo de mutação, onde ela ainda não atingiu a perfeição alardeada. Se for isso, até atenua um pouco.

Então fica aqui o meu protesto contra a natureza, a dor física (as que vêm de dentro e as impostas), e as outras, aquelas da alma que igualmente doem. Que diabo de valia tem esse protesto, hein? Nenhum, mas não o retiro.