quarta-feira, fevereiro 14, 2001


Dessas mulheres


Essa mulher Juana Ramírez de Asbaje, nasceu no século 17, no México, em 1651 e só viveu até 1695. Pode?

Filha ilegítima, nascida numa aldeia chamada Neplanta se mandou pra cidade do México muito cedo. Não se sabe por que se enclausurou primeiro num convento de carmelitas, de onde saiu renunciando e entrou noutra ordem e ficou lá até morrer. Uma religiosa que escrevia poesia profana, com o nome de sor Juana Inés de la Cruz. Uma mulher, uma poeta do caramba! Taí embaixo uma.


Detente, sombra de mi bien esquivo,
imagen del hechizo que más quiero,
bella ilusión por quien alegre muero,
dulce ficción por quien penosa vivo.
Si al imán de tus gracias, atractivo,
sirve mi pecho de obediente acero,
¿para qué me enamoras lisonjero
si has de burlarme luego fugitivo?
Mas blasonar no puedes, satisfecho,
de que triunfa de mí tu tiranía:
que aunque dejas burlado el lazo estrecho
que tu forma fantástica ceñía,
poco importa burlar brazos y pecho
si te labra prisión mi fantasía.